segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nova geração de Benfica (parte III)



O centro de estágios do seixal estava em andamento, a fábrica estava a ser concluída, faltava o maquinista… ele chegou, que nem um messias, Jesus de Apelido, Jorge de nome… um homem do povo, no clube do povo, prometeu o Benfica a jogar o dobro, o Benfica jogou o triplo, tinha Aimar, Saviola, Javi Garcia, Ramires, David Luiz, Di Maria, Cardozo, era temível, demolidor, ganhou o campeonato com classe, mesmo que ameaçado pelo sempre presente polvo, voltou a ser demolidor na Europa, caiu de pé frente ao Liverpool um rival de muitas batalhas… Na época seguinte novamente futebol espetáculo… classe, raça ambição, um Benfica à Benfica, mas o polvo ainda estrebuchava, levou os assumidamente corruptos à época perfeita, zero derrotas, muitos casos que nos cortaram as pernas logo de início… as regras para o Benfica são sempre um pouco diferentes… mais apertadas, mais rigorosas… fomos até às meias na Liga Europa, o Braga impediu a chegada à final, fica a espinha atravessada, mas fica também a prova que o caminho estava a ser desbravado, pacientemente e de forma consistente…
Nas duas épocas seguintes, assistimos àquilo que esperemos ter sido as últimas ações do polvo, que com a complacência da CS levou os corruptos aos seus últimos dois títulos (espero que por muitos anos)…
Primeiro Maicon, dois metros em fora de jogo num lance de bola parada, golo validado, o roubo do século… a CS deixa passar, os cumentadeiros tecem loas aos campeões… campeões da treta, campeões corruptos, campeões de merda… para muitos benfiquistas a culpa é do treinador. Porra o treinador não é árbitro!!!
Época seguinte última jornada, jogo Paços-corruptos, falta a meio campo contra o Paços, assinalado penalti… resultado desbloqueado e caminho para o título aberto… o resto é história… são factos.
Nessa mesma época, regresso às finais europeias com o Chelsea (e não um Monaco, um Celtic, ou um mesmo um Braga desta Vida), o todo poderoso Chelsea, que era só o Campeão Europeu em título, derrota nos últimos instantes... Final da taça, novo desgosto, desta vez com o Guimarães onde não podia faltar o dedo do árbitro, figura sempre sinistra nos jogos do Benfica...
Que pesadelo, luta até ao fim em todas as frentes… tudo perdido, Depressão coletiva… Porca miséria!!
Com a nação benfiquista literalmente em estado de choque, 99% atiraram-se ao treinador e ao presidente… mas aconteceu algo que muitos não esperavam, adversários incluídos, o Benfica já não é dirigido de fora para dentro. Tem um plano bem estruturado, sólido, colocado em prática por uma equipa forte, coesa, tendo exatamente a noção que rumo dar ao clube… à cs cheirou-lhe a sangue, digladiaram-se, fizeram programas exclusivamente dedicados ao tema, os cumentadeiros salivavam que nem hienas em redor da presa, mas o presidente contra quase tudo e todos segurou o treinador… não caindo o treinador, viraram-se para os sérvios, que foram chegando à Luz, para a falta da aposta da formação, todos colocavam algo em causa, cumentadeiros, talibans, hienas, todos queriam despedaçar, estraçalhar o que estava a ser construído... têm que ter sempre a merda de um osso para roer… Com o arranque periclitante as críticas foram-se adensando, mas como de costume a máquina começou a carburar, deixou de sofrer golos, a equipa passou a ser pragmática como nunca e os resultados começaram a aparecer… a raça, o querer e a ambição aumentava a cada dia, o Benfica tornou-se temível. A nível interno não tinha adversários à altura e só os do costume mantinham os adversários por perto… a nível externo as noites europeias continuaram épicas… Caíram na Champions após massacrarem o Olimpiacos, no melhor jogo da época. Ainda hoje não sabem como não foram goleados, mas os Deuses foram gregos… pouca sorte, muito Roberto (aí todos se lembraram dele e elevaram-no a heroi, quando o tinham tratado sempre abaixo de cão)… veio a Liga Europa, todos nos lembramos como não a ganhamos… um porco alemão não deixou… FDGP!
Mas no final acabamos com três títulos… inédito no futluso… Jorge Jesus e a sua equipa despedaçaram completamente o sistema, duas vitórias épicas contra o principal rival, com mais de duas horas a jogar com menos um…
Na presente época o ataque habitual a cada início de época pelos mesmos do costume… CS, hienas cumentadeiras, talibans… nada a que não estejamos habituados… os resultados teimam em contraria-los, aos três títulos conquistados juntamos-lhe mais um… voltando a fazer história, somos o único clube português detentor ao mesmo tempo de todas as competições oficiais em Portugal. Quatro dedos enfiados no dito cujo de quem continuadamente tenta denegrir o maior clube português… porra que orgulho sinto do nosso BENFICA.

domingo, 19 de outubro de 2014

Nova geração de Benfica (parte II)



Sofri com os anos 90, embora não tenha começado mal. Uma final da TCE, jogos históricos com o Bayer e com o Arsenal, o inesquecível 6-3 de Alvalade, com a fabulosa exibição do João Pinto e o peculiar festejo do Isaías, o último título da década… mas claramente já em fase declínio, assistindo-se a um definhar progressivo, salpicado ainda por estrelas como Preud`Homme, João Pinto ou Poborsky, acabando por bater no fundo, com Kings, Paredão, ou Hassans, vendo ainda  sair a maior estrela e capitão para o maior rival. Foram anos Negros!
Mas como grande instituição que é, possui entre os seus adeptos e sócios pessoas extraordinárias que se propuseram a reergue-lo. O processo não foi fácil, tiveram de lutar contra muitos, contra milhares, contra um sistema entretanto instalado que aniquilava tudo o que fugia ao seu controlo, assim se atingiram os piores resultados desportivos da história, dois anos sem competições europeias, 6.º lugar no campeonato, arbitragens vergonhosas, corrupção que passou impune, agressões, correrias atrás dos árbitros, tudo servia para não deixarem acordar o gigante adormecido….
Mas ele acordou, lentamente, primeiro um estádio novo, moderno, funcional, construído em tempo recorde, depois um título que nos fugia desde 94, num ano de profunda mágoa, pela morte de um dos nossos com o manto sagrado vestido, Feher, paz à sua alma… Mas logo o polvo voltou à carga, apertando os seus poderosos tentáculos, impedindo que os resultados desportivos tivesse continuidade, pese embora as dignas campanhas europeias, onde nos caíram aos pés Liverpool, Manchester, e só o poderoso Barcelona não caiu, porque a máfia não existe só em Portugal… o Benfica, o poderoso Benfica estava de volta, estava para ocupar o seu lugar de direito…

sábado, 18 de outubro de 2014

Nova geração de Benfica (parte I)



Nasci nos anos 70, as primeiras recordações que tenho do jogo é do Mundial de Espanha, do Naranjito, e da fabulosa imagem de Tardelli… depois vieram os cinco a zero de Moscovo, do penalti que o Chalana arrancou frente aos Soviéticos na Luz.
No Europeu de 84, onde pela primeira vez chorei a ver um jogo de futebol (nunca mais os gramei…), o meu professor primário, levava-nos para a tasca para assistirmos aos jogos, as melhores visitas de estudo que tive!! Onde o Chalana, o Álvaro, o Sousa, o Jordão ou o Nené, me fizeram vibrar… ou seja as primeiras memórias que tenho do futebol são respeitantes à seleção.
A primeira lembrança que tenho do Benfica é a do Bento a “socar” o Manuel Fernandes e este a fazer um espalhafato tal que parecia que tinha sido barbaramente agredido, e o título a voar para o lagartedo… não chorei nesse dia, mas fiquei-lhes com tal raiva que dura até hoje - fiteiros de merda…
Depois disso vêm as épocas do Eriksson, principalmente a segunda, onde aí sim, definitivamente comecei a praticar verdadeiramente a religião benfiquista, vibrando com as gloriosas vitórias, felizmente muitas, e sofrendo muito com as amargas derrotas… são inesquecíveis as quartas feiras europeias com o ouvido encostado ao rádio, juntamente com o meu pai, vivendo intensamente toda a atmosfera que só a rádio consegue criar… jogando à carica intermináveis dérbis, sempre com a vitória do Benfica com é obvio… ou passando horas a bater bola contra a parede do quintal procurando imitar o Carlos Manuel, o Shéu, o Diamantino, até mesmo o felino Bento, todos ídolos que via ao domingo no Domingo Desportivo, pois futebol em direto na TV só muito raramente…
Porquê o Benfica e não outro qualquer?

Muito simples. Enquanto crescia, muitas histórias ouvi o meu pai contar de como o Benfica era grandioso, de como tinha ganho ao Barcelona a final da TCE… contava-me ele com um brilho inesquecível nos olhos e de largo sorriso: “na altura os espanhóis diziam: Foi o Barcelona, se fosse o Real Madrid… no ano a seguir o Real Madrid, levaram 5!” e repetia-me o nome de toda a equipa sem hesitações... Costa Pereira, Eusébio, Simões, Coluna (aí os olhos brilhavam mais, era o seu ídolo)... dizia-a escorreita como se fizessem parte da família. Eu absorvia toda aquela emoção, entranhando-se em mim a mística e todo o misticismo que é próprio de um clube como o Benfica, e que mais nenhum em Portugal, e poucos por esse mundo fora conseguem transmitir.
Obrigado pai!